No te quiero sino porque te quiero

Neruda e Vinícius de Moraes são meus poetas favoritos, gosto de abrir os livros deles e ficar escolhendo versos, poemas  e dizeres que se adequam ao que sinto nos meus variados momentos… Vinícius de Moraes foi o meu primeiro poeta de menina, Neruda o primeiro poeta de mulher. Segue meu poema favorito do chileno, toda vez que o leio me arrepio, me deleito, e olho para trás desejando mais e mais.

É o tipo do poema que só tiro da cartola quando as pessoas não me saem do pensamento… C’est la vie, com vocês Neruda:

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego. (NERUDA, Pablo. LXVI)

A Rosa: Come as you are

Há 4 anos, mais ou menos no finalzinho da madrugada eu comecei a sentir pontadas na pélvis e pela primeira vez na vida tive uma cólica… Foi a melhor cólica que tive na vida.

A Rosa roubou meu coração e o levou para o final do arco-íris, trouxe para uma vida cinza e amargurada todos os sonhos em tons vibrantes, transformou as minhas lágrimas de tristeza e dor em um rio para se fazer rafting. Me fez amar profundamente mais uma vez na vida.

A Rosa as vezes inventa cada carícia, arrasa o meu projeto de vida e me faz construir tudo novamente junto com ela, ilumina o meu caminha como uma estrela guia.

A Rosa me fez entender a minha mãe e aquele olhar que ela lançava para mim e para a Paloma do nada, como se estivesse encontrado o maior tesouro da vida e não o quisesse perder nunca mais.

A Rosa é a medida e a peneira para as pessoas entrarem na nossa vida, é a minha preocupação eterna e a vontade de só fazer coisas boas. Essa menina é a fada que acorda no meio da noite, escorrega pela cama e vem correndo dormir comigo.

A Rosa me dá um beijo delicado na bochecha e toda vez que vai dormir na casa de um tio, avó ou amiguinho me surpreende, me deixa com saudades e a minha bochecha se umidifica com algumas lágrimas. Lágrimas de felicidade, pois essa menina conquistou meu coração desde o primeiro momento, desde quando descobri que ela estava ali dentro do meu útero.

A Rosa me fez cantar novamente Nirvana bem baixinho dentro do banheiro entre uma contração e outra… Come as you are… A Rosa me fez ir para o hospital preocupada, me fez ficar acordada a noite mesmo sabendo que estava tudo bem e que aquele pacotinho dormia como se nada existisse no mundo.

A Rosa me fez dançar nos domingos de tarde, pular na cama, brincar de cowboy, assistir desenhos animados, me reaproximar de amores antigos, consolidar amores novos.

A Rosa apronta, pega um ovo e faz um bolo. Faz birrinha de criança, fica de castigo e parte meu coração quando chora no castigo, mas aprendi a esconder meu coração partido nessas horas.

A Rosa é o meu projeto de vida, é a minha vontade de mudar o mundo… É talvez a decisão mais correta que tomei na minha vida e o maior acerto que eu poderia ter.

A Rosa venta de um lado para o outro, parece duas meninas maluquinhas que conheci quando era pequena. A Rosa veste as minhas roupas, sobe na motoca e diz: Já volto mãe.

A Rosa ama carnaval, filmes, livros, música e fantasias.

Eu não teria voltado a ser eu se essa menininha não tivesse chegado na minha vida e despertado o meu coração vulcânico adormecido, tomado meu corpo numa enchente digna da pororoca e me feito olhar tudo com uma paixão e um desejo que há muito tava perdido.

A Rosa trouxe o amor e a felicidade de volta há 4 anos e assim vai continuar, retubante, aos trancos e barrancos e me mostrando a viver a vida num gole enorme sem ter medo de ver a areia escorrer entre os dedos.

Obrigada por existir na minha vida.

E aí que hoje é aniversário da minha mãe…

Em 1950, lá em Almenaria (MG), nascia uma piti, que depois virou tupaquidi, mas também era conhecida por aí como Dra Darcy Franca. Nunca conheci Almenaria, apenas por algumas histórias que ela contava: As bonecas feita de espiga de milho, o boi bravo que quase a atacou, o dia em que foi simbora do Vale do Jequitinhonha e deixou para trás um dos irmãos mais velhos.

Hoje minha mãe faria 63 anos, foi esta moça espevitada que me ensinou a ser quem eu sou, com alguns contratempos, brigas e afins, mas a culpa é dela. Tupaquidi me ensinou a gostar de samba, bossa nova, de ir para rua dançar e lutar.

Era ela que mesmo eu não contando das dores bobas que assolavam meu coração que me dava colo, fazia cafuné e me deixava dormir em sua cama. Minha companheira de PUC, de pegar o carro e ir a médicos.

Tenho certeza que a minha mãe estaria em polvorosa pensando não no aniversário dela, mas sim no aniversário da neta. Ela sempre disse que queria ver os netos dela nascerem, uma pena isso não ter acontecido… Ela seria apaixonada pela Rosa, tenho absoluta certeza.

Olho para trás em todo dia 31 de janeiro e 26 de setembro e só posso dizer uma coisa: a saudade nos faz desfocar os momentos ruins e carrega nas tintas nos momentos bons. Assim gosto de me lembrar: Uma mãe companheira, que conversava com as filhas sobre política, que se virava para poder estar em nossas vidas, que nos amava e contava histórias, até o dia em que nós começamos a contar para ela histórias para o tempo passar naquela UTI fria.

Feliz aniversário mãe, não posso te levar uma café da manhã e te dar um beijo, mas posso te dizer que estamos bem, a Rosa é linda e tu fazes uma falta danada nessa coisa chamada vida.

Tchau 2012, olá 2013

Aprendi a fazer balanço do ano que vai findando com o primeiro cara que eu beijei na vida, ainda quando estava em Belém. De lá para cá balanços foram ficando mais cotidianos na minha vida, principalmente quando se trata de política, também beijei outras pessoas e percebi que não necessariamente paixonites de adolescência são eternas.

2012 começou tenso e em crises múltiplas. Começou com uma paixão maluca que foi se esvaindo e se tornou uma amizade engraçada, junto tinha uma crise, uma crise que foi superada de mãos dadas. 2012 começou em Carapicuíba, passou pelo Vale do Paraíba, São Carlos, Franca, Vitória, Rio de Janeiro, Belém e termina em São Paulo.

Vi a maior ocupação urbana da América Latina ser trucidada pelas mãos do tucanato, antes de ver o Pinheirinho no chão eu o vi erguido e falar com aquelas pessoas e naquelas assembleias foi a uma das experiências mais catárticas da minha breve vida política.  Foi também no episódio do Pinheirinho que vi nos olhos do meu companheiro uma preocupação única: o meu bem-estar e o da Rosa.

Foi ano de eleição e uma das campanhas para vereador em São Paulo mais lindas que eu já fiz na vida, foi ano de esperança em Belém, mas que por diversos motivos não floreceu. Ano duro, quando pela primeira vez me vi perdendo gente próxima a mim da minha idade, da minha época de militância e por crime de ódio.

Em 2012 o meu relacionamento mais longo terminou, mas também foi época de reencontros. Juntamos as amigas da época de colégio em Belém, Rosa conheceu a madrinha dela, vivemos a cidade das mangueiras de forma intensa e única. Reabastecemos as baterias. Reencontrei amores antigos de uma forma doce, sensível, madura.

Consegui um emprego fixo. Ouvi um “eu não quero te fazer chorar, só sorrir”. Tive um átimo, dei uma bicicleta para a minha filha. Dei um tempo de desgastes, organizei as ideias.

2012 foi conturbado, com momentos duros. Mas os saldos são positivos: um emprego, uma filha feliz, um átimo e reorganização de atuação política. Eu fui feliz, tenho sido feliz nos últimos dois anos, algumas dores vão doendo menos, as coisas se organizando da sua maneira e um sorriso gigante voltando ao rosto para ficar, pelo menos é o que eu espero.

2012 termina e eu estou estável e não tem nada melhor pra mim do que estar estável. Como de costume eu aguardo 2013 com ansiedade, viver tem sido uma aventura primorosa nestes últimos anos.