Nota sobre technomelody, Gaby Amarantos e Creative Commons

Já falei da Gaby Amarantos por aqui quando ela foi fazer o show na posse da Dilma, volto agora para falar novamente dela, primeiro por que é uma mulher admirável que sempre contará com espaço neste bloguinho, pois sim acredito que para além de um símbolo forte ela representa lutas importantes e uma parcela real do povo paraense.

Confesso que quando era menor tinha um preconceito enorme com brega, technobrega e todas as suas vertentes e com o passar dos anos comecei a compreender melhor a importância destes movimentos para a cultura da periferia de Belém e para o próprio Pará, faz parte do meu processo de reconhecimento da minha identidade e de escolha de qual lado estou na sociedade.

Não conheço a Gaby pessoalmente, mas a admiro muito, não por seu ganho individual como mulher – já que acredito em ganhos coletivos e revoluções -, mas pelo fato de mesmo com este ganho individual ela se coloca a serviço de um projeto de sociedade e é tão raro vermos artistas assumirem camisas, lutas e bandeiras nos dias de hoje, principalmente artistas jovens. A considero um exemplo importante.

No mais, segue o clipe desta malaca do meu querido Jurunas, clipe muito bom que trata sobre uma questão super interessante: Direito autoral, debate que neste primeiro ano de governo Dilma foi tão atacado pelo MinC e ela lança um vídeo em Creative Commons. Novamente meu chapéu tirado para esta mulher fantástica.

Planalto tremei por que aí esta por vir Gaby Amarantos, a malaca do Jurunas

Não fiz campanha para Dilma, tenho sérias divergências com o governo Lula e nem estarei em sua pose por motivos óbvios, mas não é sobre isso que quero falar, pelo fato de morar em São Paulo raramente escrevo por aqui coisas sobre o Pará.

Agora não há como não falar sobre o fato da Gaby Amarantos ser uma das mulheres que irão cantar na posse da presidenta eleita, não é qualquer coisa ela estar lá, é uma representação social, de gênero e raça importantíssima, ou quantas vezes vocês viram uma mulher, negra, nortista e do jurunão cantar na posse de algum governante? Principalmente na posse de um presidente da república?

Não é a primeira vez que a Gaby assume um lugar que por conta da divisão de classes existente, é bom lembrar que há alguns anos no 1º Prêmio Cultura de Música realizado no Theatro da Paz esta mulher foi a primeira cantora de technobrega a cantar em um espaço notoriamente conhecido como berço da cultura erudita e elitista.

É quebra de paradigma o que acontece, pois querendo ou não technobrega, funk, forró, hip hop e o escambau são visto como música populacho, nada erudita e que muitas vezes não deve ser encarado como cultura, a Flávia Alli discutiu isso muito bem em um post no Jornalismo B sobre funk e eu acredito que se espraia para uma análise para os demais gêneros (é assim que se fala?) musicais oriundos da periferia, óbvio que com as devidas proporções.

Do ponto de vista do simbólico é uma vitória e tanto termos uma mulher, negra, nortista e do jurunão cantando na posse da presidenta da república, particularmente para a carreira da Gaby Amarantos é um reconhecimento fenomenal e é coerente com a sua atuação política durante as eleições e gostaria de deixar claro que não concordo com os posicionamentos políticos da Gaby por N motivos, mas não vou cair na esparrela de não reconhecer que dentro deles a Gaby representa uma quebra de paradigma importantíssima.

Planalto tremei por que aí estar por vir Gaby Amarantos, a malaca do Jurunas – pois nesse caso é sim importante demarcar de onde ela veio.

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