Para Femen UK Thatcher não é um símbolo feminista

Bem, o Femen Brazil ontem revelou novamente a sua total compreensão de como a dinâmica social influencia diretamente no avanço ou retrocesso do direito das mulheres. Para quem não sabe o grupo postou uma homenagem a Margareth Thatcher, a controversa 1ª ministra britânica entre os anos de 1979 e 1989.

A homenagem dizia basicamente:

Nossos sentimentos à Margaret Thatcher, com sua política neoliberal, dirigiu um governo que reduziu o tamanho do Estado e transformou o Reino Unido. Ela foi, de longe, uma influência mundialmente, conhecida como Dama de Ferro, por conta de sua postura inflexível. Foi a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica, cargo no qual ficou por três mandatos consecutivos, entre 1979 e 1990.
“Na política, se você quer que algo seja falado, peça a um homem. Se quer que algo seja feito, peça a uma mulher.”

Não é a primeira vez que o Femen Brazil é alvo de polêmica, só lembrar logo no começo do grupo aqui no país o descobrimento do passado da principal porta-voz do Femen Brazil ter tido relação com o movimento nazifacista, além da saída conturbada da anita número 2 do grupo Bruna Themis.

Pois bem, acabei questionando ontem pelo Facebook o Femen e o Femen UK se figuras como a Margareth Thatcher  seria um símbolo feminista para eles. Hoje ao entrar na minha conta do FB me deparei com uma resposta de uma pessoa que se diz administrador da página do Femen UK, David Jones, e ele me respondeu o seguinte:

Hello Luka i am the admin for Femen UK the answer to you’re question is no we don’t view thatcher as a feminist she is an extremely controversial figure in our country and most here don’t like her. Femen brazil has put her up for some reason it had nothing to do with us, the only good thing she did was liberate the falklands but she did alot of bad things to the english people and i can assure you we don’t support her or her right-wing politics.

Oi Luka, eu sou o admin para o Femen UK e a resposta para o teu questionamento é: Não, nós não vemos Thatcher como uma feminista, ela é uma figura extremamente controversa aqui no nosso país e a maioria da população não gosta dela. Femen Brazil a homenageou por algum motivo e isso não tem nada haver conosco. A única coisa boa que ela fez foi liberar as FalkLands (Malvinas), mas ela fez muita coisa ruim para o povo inglês e eu posso te assegurar que nós não a apoiamos ou suas políticas direitistas.

Não vou entrar aqui no debate sobre as Malvinas, até por que o foco é justament a desconstrução da Thatcher como uma figura que tenha contribuído com algo para a organização e luta das mulheres no mundo. E por óbvio mostrar que há um crasso problema de compreensão do que as relações políticas conservadoras interferem no avanço ou não do combate as opressões no mundo, coisa que parece ser algo menor para o Femen Brazil.

Antes que venham com o blábláblá de que é acadêmico, é isso ou aquilo, sugeriria avaliar o que a política thatcherista fez com o direito das mulheres e crianças na Inglaterra e o como a questão da análise de conjuntura política é essencial para se posicionar.

Morreu Margareth Thatcher, aquela que ajudou a oprimir mulheres

Quando morre alguém de direita eu normalmente friso o quanto não comemoro a morte de ninguém, acho fundamental sempre frisar isso por conta de uma lógica pouco humana que acaba circulando por aí: se é de direita seus filhos não sofrem, não se deve ter o mínimo de solidariedade e isso não faz parte do que eu acredito para uma mudança social.

Pois bem, ontem morreu Margareth Thatcher, conhecida como dama de ferro e que recentemente teve sua história nas telinhas do mundo inteiro com a interpretação de Meryl Streep. Novamente o que vemos é a grande mídia exaltar sua firmeza durante o período em que foi 1ª ministra da Inglaterra. Para quem não sabe Thatcher foi a 1ª – e creio que única até o momento – mulher a ocupar o mais alto cargo político da Inglaterra. Uhul uma mulher no poder, só que não.

Não devo nada ao movimento de libertação das mulheres. As feministas odeiam-me, não é? Não as posso culpar uma vez que odeio o feminismo. É puro veneno. (THATCHER. Margareth)

A ascensão de Thatcher na Inglaterra em nenhum momento significou melhora na condição de vida das mulheres daquele país, ou até mesmo do mundo. Foi ela quem iniciou o processo de guerra nas Malvinas, e como é bem sabido (ou deveria) em momento de guerra se dá também a ausência de direitos e quem mais sofre são as mulheres.

Seu papel foi decisivo para a rearticulação da contraofensiva conservadora dos anos 80. Ela irrompe na cena política de seu país e no teatro internacional em um momento no qual o capitalismo vivia novo ciclo de crise e uma onda revolucionária havia, na década anterior, fortalecido posições da União Soviética e seus aliados. A revolução portuguesa (1974), a vitória comunista no Vietnã (1975), a derrubada do xá no Irã e o triunfo sandinista, ambos em 1979, são os principais fatos da última escalada progressista do período histórico aberto com a revolução russa de 1917. (ALTMAN, Breno. Margaret Thatcher foi a grande apóstola da guerra fria)

O legado que a 1ª mulher a ocupar o cargo de primeiro ministro da Inglaterra deixou não é o de avanço aos debates feministas ou da auto-organização das mulheres para a sua emancipação social. Isso não quer dizer que alguns pontos não tenha tido posições mais arejadas como quando votou pela descriminalização da homossexualidade masculina e pela legalização do aborto. Mas ao mesmo tempo era contrária a legalização do divórcio e pela manutenção da pena de morte. O que para mim apenas significa um compromisso com a manutenção de uma família nuclear burguesa e heteronormativa, visto que não há uma única menção de Thatcher sobre apoio ao lesbianismo.

Thatcher privatizou a Inglaterra e garantiu assim que a vida das mulheres inglesas fosse mais dificultada, além de defender a necessidade das mulheres estarem nos locais públicos, mas também terem tempo para cuidar da sua família.  Além do mais estabeleceu como uma de suas principais metas o combate ao “comunismo” e o apoio a “democratas” da estirpe de Pinochet.

Ela pode ter sido a nossa 1ª ministra, mas os homens ainda terminaram a década de seu governo ganhando muito mais do que as mulheres. (How Britain changed under Margaret Thatcher. In 15 charts)

Suas ações políticas a frente da Inglaterra tinham reflexo direto nas “minorias” sociais, pois se balizavam na retirada de direitos sociais conquistados, era reconhecidademente uma opositora do estado de bem-estar social presente na Europa.

Quando foi Ministra da Educação e da Ciência privatizou a distribuição de leite nas escolas estaduais para crianças de 7 a 11 anos, mantendo apenas uma quantidade mínima da bebida para crianças menores de 7 anos.

Questionou em 1989 a forma como o seu governo havia recebido as críticas realizadas pelo Relatório Taylor, sobre a polícia inglesa e seus excessos.

Depois do colapso do neoliberalismo em 2008, ninguém nunca ouviu uma simples autocrítica sua a respeito da crise que destroçou a economia de seu país, toda ela inspirada em ideias que ela colocou em circulação. O que não é estranho para alguém que, cinco anos depois de assumir o governo do Reino Unido, produziu o declínio da produção industrial, o fim de fato do salário mínimo, dois anos de recessão e o pior índice de desemprego da história britânica desde o fim da Segunda Guerra (11,9%, em abril de 1984). Nesse caso, também sem a mínima autocrítica. (SAFATLE. Vladimir, Canonizando Margareth)

A presença de Thatcher na direção da Inglaterra entre 1979 e 1990  só demonstra o quanto a garantia de direitos e avanços sociais sob a égide de um símbolo conservador não aglutina para emancipação das “minorias” sociais. É importante analisar a fundo os acontecimentos e a quem as políticas públicas afetam diretamente e prioritariamente.

Pessoalmente, não quero mais Thatchers no mundo, quero ver na verdade outros perfis de mulheres que conseguem compreender que a nossa emancipação se dá em conjunto com a emancipação de outros setores sociais e que a política conservadora e capitalista em geral só tem uma tarefa: a de manter as coisas como estão. Sinceramente? Eu quero mais é subverter as coisas.

Margaret Thatcher was no feminist, por Hadley Freeman

Quando o politicamente correto vira resposta para tudo, ou, papo reto com a Marie Claire

Racismo, homofobia, machismo. A semana para quem faz o debate sobre direitos humanos está bem pesada, seja por conta do impasse no Congresso Nacional sobre permanência ou não do Marco Feliciano e do PSC na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos deputados, seja por conta do trote racista na faculdade de direito da UFMG ou o caso de agressão de uma menina negra no DF. Não tá fácil para ninguém e mais, não há resposta contundente do governo federal e estaduais para enfrentarem este problemas estruturantes de uma sociedade desigual e opressora.

No bojo deste kit-opressão desta semana uma representação feita no desfile de Ronaldo Fraga durante a SPFW também chamou a atenção. O estilista compôs o look de suas modelos usando como adorno uma espécie de perucas feitas com palha de aço.

A arte deve ser livre, como advogaram os dois homens da moda utilizando outras palavras, como a justificar a escolha da palha de aço para representar os cabelos das mulheres negras, talvez, numa intenção (infeliz) de subverter um símbolo de opressão. O caso é que, embora falemos de arte (guardadas as controvérsias, pois há estilistas respeitáveis que não consideram a moda uma manifestação de arte), ensina a política que são as pessoas oprimidas as que escolhem símbolos opressores que em dadas situações são subvertidos e/ ou re-significados. E não se trata aqui de acusar gratuitamente ao Ronaldo e ao Marcos como opressores, mas, concordamos que eles não são os oprimidos da história. Certo? E nenhum dos dois tem autoridade ou legitimidade para arvorar-se a revisor deste sustentáculo de opressão das mulheres negras durante sucessivas gerações, escudando-se na frase: “o suposto cabelo ruim é na verdade uma escultura em potencial.” (SILVA, Cidinha. Ao amigo Ronaldo Fraga)

Não, este post não é para ficar esmiuçando do por que a “homenagem” na verdade é reafirmação de um status quo social racista e reverbera apenas isso, mesmo que não seja a intenção do estilista. Até por que ideologia é combatida com ideologia e não há hoje combate ideológico efetivo no Brasil contra o racismo, machismo e homofobia, até por que as políticas públicas dos governos federal e estaduais de combate a opressão são muito para “inglês ver”. Este post é uma resposta na verdade a Marie Claire e seu lamentável editorial colocando questionamentos as críticas feitas por ativistas do movimento negro e de direitos humanos a escolha malfadada de Ronaldo Fraga. Até por que a desculpa do politicamente correto hoje serve para tudo, até para justificar piada sobre estupro.

A palha de aço na cabeça nada mais foi do que um recurso estético, uma licença poética, um apelo estilístico. Os detradores de Ronaldo Fraga, provavelmente, não entendem nem de arte e nem de negros. Acusá-lo de racista seria o mesmo que dizer que Tarsila do Amaral é jocosa em seu “Abaporu”, ao retratar o povo brasileiro em linhas modernistas. E achar que a defesa dos negros e de seus direitos se dá em uma arena histriônica, em um compêndio de acusações e ofensas desprovidas de ligações com a realidade é no mínimo ingenuidade, senão má-fé. As arenas de debate estão postas: o Congresso Nacional discute morosamente a criação de cotas para negros em faculdades e no mercado de trabalho.

Será que esses que se levantam para apontar o dedo a Ronaldo já se mobilizaram para ajudar a sociedade a garantir os direitos dos negros? É irônico que não tenham produzido contra o deputado Marcos Feliciano (atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara), abertamente racista, a mesma enxurrada cibernética de críticas que destinaram ao estilista brasileiro. (“Meu desfile foi capturado pelo ‘politicamente correto’”, afirma estilista Ronaldo)

Se a publicação fosse atenta teria percebido que nesta semana casos de racismo foram recorrentes e ganharam a mídia de forma abrupta: trote na UFMG, garota negra espancada, secretário de segurança pública de São Paulo se negando a debater com o movimento negro os homicídios existentes na periferia da cidade, a batalha contra a falsa política de inclusão do governo tucano. Tem muita coisa eclodindo dentro do debate dos direitos humanos no Brasil, mas me parece que a Marie Claire apenas se arvora nestes acontecimentos para dizer: vocês não tem coisa mais importante para fazer?

A resposta é: Temos, temos por que lutamos cotidianamente para implementação de políticas públicas reais que assegurem a vida de mulheres, LGBTs e negros no país. Estamos exaustivamente gritando que somos nós que morremos com a política de segurança pública militarizada no Brasil. São nossos filhos que morrem, que são espancados pela polícia. Somos nós que morremos por abortos ilegais e inseguros enquanto a tuas leitoras podem fazer abortos seguros em clínicas e hospitais da elite.

Antes de tudo, preciso explicar que a blackface é tudo menos uma piada inocente que acontece nos sábados à noite na televisão e no teatro (Tiago Abravanel se pinta de negro para interpretar Tim Maia). É um instrumento racista clássico que se iniciou no teatro estadunidense quando atores brancos pintavam seus rostos de preto para criar retratos estereotipados de pessoas negras, contribuindo para a disseminação e decantação do racismo. (Sobre a caloura Xica da Silva, nota sobre o trote na UFMG)

Porém, é importante lembrar que para nós nada é menor. Discutimos a política educacional e a não inclusão real da disciplina que ensina história e cultura africana nas escolas e que já é prevista em lei. A implementação de reformas trabalhistas que vão precarizar os nossos trabalhos, pois nossa cor e gênero nos relegam aos piores postos de trabalho e mais a ridicularização constante que sofremos por conta da nossa aparência. Somos exóticas, somos as diferentes, somos o fora do padrão. Mas atentem: a minha beleza não tem padrão.

As críticas sofridas por Ronaldo Fraga não foram feitas de forma leviana, muito menos por pessoas e movimentos que não discutem o cotidiano das mulheres negras, LGBTs e homens negros no país. Na verdade leviano é não se atentar para a conjuntura política colocada no país. Nós estamos em luta cotidiana, nós gritamos todos os dias e não somos ouvidos pelo Estado ou por vocês, pois simplesmente vocês não percebem que o status quo arduamente apresentado na sociedade só ajuda a consolidar a nossa opressão.

“Esse post faz parte da BLOGAGEM COLETIVA PELO DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL, uma iniciativa BLOGUEIRAS NEGRAS.”

Nota de repúdio ao trote racista e sexista na faculdade de direito da UFMG

A humanidade, se fosse uma pessoa, envergonhar-se-ia de muita coisa de seu passado; passado este que contém muitos episódios verdadeiramente abjetos. Enquanto humanos, faríamos minucioso inventário moral de nós mesmos; enquanto partícipes do que convencionamos chamar ‘Humanidade’, relacionaríamos todos os grupos ou pessoas que por nossas ações e omissões prejudicamos e nos disporíamos a reparar os danos a eles causados.

Vigiaríamos a nós mesmos, o tempo todo, para que individualmente e enquanto grupo,  não repetíssemos nossos vergonhosos e documentados erros. Pais conscienciosos, ensinaríamos as novas gerações os novos e relevantes valores morais que tem de pautar nossas condutas, palavras e intenções.

Dois desses episódios, chagas profundas e fétidas de nosso passado humano,  são a escravidão e o nazismo. No primeiro, tratamos outros seres humanos como inferiores;  os açoitamos; os forçamos ao trabalho; os ridicularizamos (dizendo que eles eram feios, sujos, burros, seres humanos mal acabados e não evoluídos);  procuramos destruir seus laços com a terra amada, sua cultura, sua língua; dissemos que eles não tinham alma enfim. No segundo não era diferente; mesmas ações, alvos expandidos: pessoas negras, judeus, homossexuais. Todos tratados com o mesmo desrespeito.

O tempo passou e como as chagas permanessem, fizemos um meio-trabalho: criamos leis. Leis como a 7.716/89, que qualifica o crime de racismo e depois a Lei  9.459/97 (que inclui o parágrafo 1 no artigo 20 da já referida Lei 7.716/89, mencionando a fabricação e uso de símbolos nazistas). Infelizmente, nem mesmo a força da lei tem sido suficiente.

O  que vemos é, em toda parte, ressurgirem graves violações dos Direitos Humanos outrora perpetradoss. O que seria motivo de vergonha vem ganhando o espaços públicos, por meio de recursos custeados pelo Estado; um Estado que se auto declara ‘Democrático de Direito’; um Estado que tem como fundamento a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (inciso III do artigo 1 da Constituição de 1988).

Sim, foi isso mesmo o que você leu: na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alunos do curso de Direito (sim, um curso cujo objetivo é formar profissionais que serão essenciais à Justiça e à defesa desse propalado Estado Democrático de Direito) fizeram um trote onde, sob a desculpa de fazer piada usaram saudações nazistas e representações racistas e sexistas.

A notícia, amplamente divulgada na mídia, vocês podem ler aqui: http://vestibular.uol.com.br/ultimas-noticias/2013/03/18/trote-com-saudacao-nazista-provoca-acusacoes-de-racismo-na-ufmg.jhtm

Mas não é só: infelizmente nesses últimos meses, tomamos contato com episódios igualmente repulsivos ocorridos em universidades: na Politécnica (Faculdade da Universidade de São Paulo, também mantida com recursos públicos), vimos alunos divulgarem uma gincana, onde uma das ‘provas’ era algo cometer assédio sexual.

http://www.feministacansada.com/post/44492821098

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,gincana-da-poli-incentiva–machismo-e-revolta-estudantes-,1004392,0.htm

E isso logo após alunos de uma outra Universidade (também da USP, na cidade de São Carlos) , agredirem manifestantes que criticavam um trote que vilipendiava a imagem feminina.

http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/cotidiano/3104-grupo-protesta-contra-trote-machista-e-e-agredido-na-usp-sao-carlos

Todas essas condutas, perpetradas por alunos que deveriam estar recebendo instruções aptas a torná-los profissionais e cidadãos mais éticos (afinal, é para isso que todos os cursos contém em suas grades a matéria denominada ‘Ética’), mostram que beiramos a um perigoso retrocesso no quesito ‘Direitos Humanos’.

Sendo os Direitos Humanos imprescritíveis, inalienáveis, irrenunciáveis, invioláveis e universais, efetivos e interdependentes, não pode haver NENHUMA tolerância a qualquer ato ou gesto que os ameaçem.

E é por isso e também por tais atos (perpetrados nas três universidades citadas) constituirem verdadeiro incentivo à propagação de discursos preconceituosos e de ódio, é que os coletivos assinam a presente nota de repúdio, esperando que autoridades constituídas tomem as providências cabíveis para apenar exemplarmente os responsáveis. Leis para isso já existem; mas para que os direitos ganhem efetividade é preciso sua aplicação.

Esperamos também que as pessoas que lerem a presente também façam um reflexão sobre o rumo que nossa Sociedade está tomando. Não queremos o retrocesso. E se você compartilha conosco desse sentimento, dessa vontade de colaborar com a construção de uma Sociedade melhor, não se cale.

Nós somos negros; nós somos mulheres;  nós somos gays; nós somos lésbicas; nós somos transsexuais; somos nordestinos; adeptos de religiões minoritárias. Somos as minorias que diuturnamente temos de conviver com o menoscabo de nossas imagens; com atos que naturalizam a violência;  que criam verdadeira cisão entre Humanos; que reabrem as chagas e as fazem sangrar. E nós não vamos nos calar. O estandarte, escudo e espada emprestaremos da Themis, a deusa da justiça; usaremos a lei e  exigiremos o seu cumprimento.

Aos estudantes de Direito que fizeram uma tal ‘brincadeira’repulsiva, lembramos:

‘Ubi non est justitia, ibi non potest esse jus’  -
Onde não existe justiça não pode haver direito

Assinam o presente,